Um dia ainda irei escrever algo acerca do “The king of limbs”…

 

Aviso a todos os amantes de Radiohead (eu incluído):
Não leiam o seguinte texto, porque a seguir entrarei a 100% no campo do subjectivo.

Aqui fica uma análise sumária acerca do novo álbum “The king of Limbs”
Devo dizer que o interesse desta crónica é praticamente nulo, uma vez que eu próprio detesto ler crítica musical. De qualquer das formas, como hoje estava a chover e por uns instantes chegou a  nevar, cá vai:

1. Bloom – É a música de introdução do álbum, e pouco mais do que isso. Um pouco monótona e demasiado previsível. Depois de se ouvir várias vezes, poucos são os pequenos detalhes que nos escaparam nas duas primeiras audições;

2. Morning Mr Magpie – Começa bem, ritmicamente estimulante mas depois vai-se perdendo e apesar de ser um pouco mais intricada do que a “Bloom”, a estrutura é também bastante previsível, tendo em conta que estamos a falar de uns gajos que se chamam Radiohead!

3. Little By Little, as coisas começam a aquecer. Primeira grande aparição das guitarras numa música bem ao estilo que estes gajos sabem melhor fazer. Variações de intensidade nos “refrões” (falar de refrões em radiohead é um pouco naïve, mas ok), pequenas nuances que dão muito mais detalhe a esta música quando comparada com as outras.

4. Feral – Trajectória descendente. Ao nível da primeira música, mas ainda mais cinzenta. Suponho que seja para enfatizar o contraste com a música que se segue – A “lotus Flower”!

5. Lotus Flower – Boom, depois de céus cinzentos e nuvens baixas eis que ela chega. É uma composição excelente a todos os níveis. Ritmicamente poderosa e por vezes assimétrica (aquele contra-ritmo constante provocado por um som que se assemelha a palmas, é brutal), balançada pela serenidade do resto da estrutura da música, é o orgasmo do álbum, apesar das músicas anteriores não serem propriamente os melhores preliminares.

6. Codex – É o cigarro depois do sexo. Harmoniosa, límpida, compositivamente balançada, é para ouvir à janela, olhando a cidade e transformando mentalmente este dia cinzento numa tarde solarenga de primavera. Esta música causa-me o mesmo arrepio na espinha que a “Piramyd song” do “Amnesiac”.

7. Give up the Ghost – descida vertical, a pique mesmo! Á imagem das duas primeiras. Gasta-se rapidamente após duas utilizações;

8. Separator – Final do Álbum. Vale pelo baixo, de resto pode-se fazer copy paste do que escrevi acerca das primeiras músicas e da que a antecede. Dá-me a sensação que esta música não fecha o álbum, e tendo em conta alguns rumores de que os Radiohead vão lançar brevemente novo álbum, eu diria que esta música é um “to be continued”…

Diria, e depois de ouvir várias vezes o álbum, que este fica muito longe de “In Rainbows” – para mim o melhor álbum dos Radiohead no séc. XXI. No entanto, parece-me melhor, mais completo e diversificado do que o “Hail to the Thief”. Mas quem esperava uma continuidade da sonoridade de “In Rainbows” e ficou um pouco desiludido com este, não deve esquecer que estamos a falar de Radiohead, ou seja, acomodação é palavra proibida, e é isso que os torna tão diferentes de quase tudo o que se vai fazendo.

Long live Radiohead!


que tipo de biltre nojento, desprezível e desumano, bombardeia o seu próprio povo?

O sol é como uma enorme nuvem de esperança, por entre os telhados manchados da barbárie…

Por entre a cobardia envergonhada de quem segura archotes que iluminam passagens, por entre estreitas cavernas repletas de medos, perecem la fora, expostos a esse sol libertador, os que ousam enfrentar a escuridão…

 


Vazio

Tinha acabado de voltar.

No vazio do quarto sentia a pesada respiração de um silêncio mais espesso que os seus próprios pensamentos.

Tentou procurar o interruptor, mas não o encontrou. A mão vagueou de cor entre a suave textura da parede, mas em vão. Onde outrora existira um interruptor, existia agora apenas uma superfície uniforme, assustadoramente uniforme.

– Não vale a pena! – sussurrou uma voz estranha.

Entre a confusão e a aceitação de que estaria no seu quarto, e no quarto de um estranho ao mesmo tempo, sentiu o seu próprio corpo responder secamente e sem temor, como se a pergunta fosse combinada previamente:

– Eu sei que não, só me queria conformar com essa evidência.

Persistiu um ligeiro silêncio e o desconforto de saber que era um actor num cenário, onde ele próprio nem a iluminação controlava.

– Faz-me um favor, senta-te aqui ao meu lado! – Pediu a voz num tom de ameaçador reconforto.

Obedeceu deixando o seu corpo avançar sem temor e dúvida por entre uma espessa escuridão que, aos poucos deixava de o ser.

Duas cadeiras, uma vazia e uma outra ocupada por um vulto que ele sabia ser o possuidor daquela voz que o impelia a avançar.

Sentou-se, e um novo silêncio desceu sobre os dois. Mas desta vez, já não restavam dúvidas, mas sim a aceitação de que a escolha fora feita. E ele, era o escolhido.

– Sabes porque estou aqui! – Perguntou o vulto.

– Sim, soube a partir do momento em que não encontrei o interruptor.

– Então, podemos poupar tempo e avançar com isto! – Disse enquanto se levantava decidida e pesadamente.

– Só queria saber, porquê eu, e porquê agora? – Perguntava a réstia de inconformidade que ainda habitava o seu corpo.

O vulto fitou-o directamente pela primeira vez, e na profundidade daquele manto sem rosto, ressoou uma voz cansada e gasta.

– Pensava que hoje seria a primeira vez que não me fariam essa pergunta. – Exclamava por entre um desabafo resignado.

Perante aquela pequena inconformada censura, continuou seca e decididamente, após deixar alguns segundos tornarem aquele momento mais solene:

– A escolha, é em si mesma uma escolha. Não tem lógica, é impessoal e aleatória. Nasce da necessidade de haver um balanço entre os que vêm e os que vão. Se a escolha é incompreensível para uma mente habituada a ler nos manuais a que distancia vai pousar a sua próxima passada, então é melhor que seja aceite assim – como uma escolha. Há sempre alguns que aproveitarão esta escolha para se repensarem, para renascerem desta bulimia existencial em que acordam cada dia. Esses, poderão enquanto redireccionam as suas prioridades, compreender que cada momento a mais entre aqueles que amam, é no fundo apenas fruto de uma mísera e simples escolha – sempre aleatória e imprevisível

Solene e ecoando onde outrora não havia eco, o vulto voltou a erguer-se estendendo-lhe a mão.

– É possível transmitir isso aos que ficaram? – Perguntou curioso.

– Ora aí está uma pergunta que não me fazem muitas vezes – Respondeu cordialmente a voz enquanto atravessavam a porta, que monocordicamente enquadrava uma réstia de claridade, visível por entre o espesso manto de escuridão.


Bloco de Esquerda – Pride & Prejudice

Quando o bloco surgiu pela primeira vez no panorama eleitoral português, muitos tradicionais votantes de esquerda (eu incluído) sentiram que algo novo começava a renovar o status quo da forma de fazer política em Portugal. Votamos no Bloco, fizemo-lo expandir, chegar ao Parlamento, ser escutado nos media, trazer a sua agenda para o centro do debate político.

Sentíamo-nos representados pela irreverência do combate de ideias, pela coragem de discutir questões fracturantes, pela sensação de que havia uma política que falava à nossa geração.

Crescemos.

Depois da adolescência, e entrados no mercado de trabalho, apercebemo-nos de que a economia (a real, e não aquela que todos idealizamos) é o tema que indubitavelmente prenderá a nossa atenção. Somos confrontados com a precariedade, com a falta de perspectivas de futuro para toda uma geração. Mas até aí não há problema, podemos contar com o Bloco para as batalhas que se avizinham.

Passamos a ouvir falar todos os dias de economia, crise de dívida soberana, combate ao endividamento excessivo, redução do défice orçamental. Olhamos para o programa eleitoral do Bloco à procura de respostas (sim respostas, porque em tempos de crise não basta só saber enunciar as questões) e percebemos pela primeira vez em anos, que a ilusão acaba ali.

Todos nós, que não acreditamos que a economia se desenvolva apenas com o investimento do estado, que não vemos com bons olhos a Nacionalização da Energia ou a “subordinação da banca a políticas públicas de crédito”, que não acreditamos que num país onde se produz tão pouco se possa acreditar realmente nas 35 horas de trabalho semanais, ficamos ideologicamente desamparados.

Todos nós, que achamos estranho que se estaleçam objectivos orçamentais em que “o crescimento real anual da despesa corrente não deve ser superior a 2%;” porque “as despesas de investimento na qualificação do trabalho, serviço público de saúde e criação de capacidade produtiva não são incluídas no défice”, perguntamo-nos em que União Europeia vive quem escreveu este programa!

Desiludidos, apercebemo-nos porque o Bloco sempre evitou falar em medidas concretas para a Economia, mas ainda assim resistimos um pouco mais, porque nos recusámos a votar num PS tão instrumentalizado pelos grupos de interesses que o rodeiam, e tão órfão de qualquer matriz ideológica de esquerda. E fazemo-lo porque, apesar do planeta estranho onde vivem os redactores do programa do Bloco para a Economia, ainda há uma certa dignidade na forma de fazer política que se mantém.

Mas depois vem uma estranha e bizarra Moção de Censura! E os jogos políticos! E o arremesso no balde do lixo daquilo que ainda diferenciava o Bloco dos outros Partidos – a crença de que a política não se resume a piruetas nos bastidores.

O Bloco, perder-me-á como eleitor, e a muitos outros que esperam por algo ou alguém que ocupe o espaço entre a esquerda radical e o centro do PS de Sócrates.

Se o Bloco não quiser ocupar esse papel de esquerda verdadeiramente moderna, alguém acabará por o fazer, e nessa altura o bloco começara a definhar, porque a novidade terá passado, anos de luta ideológica não terão chegado a medidas verdadeiramente concretas, e o espaço do PCP, esse, manter-se-á sempre inalterado;

Porque somos cada vez mais os que ansiamos por uma Esquerda que aceite a economia de mercado não como um mal, mas como uma fonte de oportunidades ao serviço de um estado que ofereça mais protecção social, melhor educação e melhores cuidados de saúde (e não me venham com purezas ideológicas de que só quem é anticapitalista é que é de esquerda, porque isso não é mais do que tirania intelectual). Uma esquerda que perca esse preconceito fracturante contra os privados, como se o lucro fosse uma aspiração satânica; uma esquerda que saiba capitalizar a importância desse mesmo lucro, para a batalha contra a pobreza e a discriminação; E acima de tudo uma esquerda que queira verdadeiramente governar, que possa ser sinónimo de estabilidade politica e parceiro de reformas essenciais, para que o PS não seja sempre obrigado a fazer coligações à direita. Ponham os olhos nessa Europa fora e digam-me qual daqueles Países mais evoluídos, ricos, justos e com menor fosso entre ricos e pobres (que é aquilo a que todos aspiramos) é que tem um único partido a governar. Eu digo-vos: Nenhum! Porque se governa em coligação, porque se governa para a maioria e não para uma minoria de puristas ideológicos. É isso a democracia e a representatividade, porque a política apesar de se fazer também na rua, sela-se no Parlamento!

P.S: Os excertos foram retirados do Programa eleitoral do Bloco de Esquerda (páginas 53-57) que pode ser encontrado aqui:

http://www.bloco.org/media/programabe.pdf

P.S2: Amigos do Bloco de Esquerda, desculpem se têm que levar com estes dois “P.S.” – eu sei que um já vos chateia o suficiente – mas faço este segundo só para vos dizer que continuo a gostar muito de todos vocês!


Saramago e os Deolinda

“Só direi,
Crispadamente recolhido e mudo,
Que quem se cala quando me calei
Não poderá morrer sem dizer tudo.”

José Saramago in “Poema à boca fechada”

A maior conquista da música dos Deolinda (“Que Parva que eu sou”), foi não só a de criar uma histeria tanto á esquerda quanto á direita, como também a de ter aparecido numa altura de revoluções populares na Túnisa e no Egipto. Tudo isto combinado faz naturalmente crescer a esperança de uns e os receios de outros…


A vida em suspenso…

Existe uma sensação que nos desgasta até às entranhas, que nos corrói de forma angustiante, que se apodera da mente e nos faz duvidar em cada passo vacilante.
A incerteza.
A incerteza de saber o que nos espera, a incerteza de saber como e quando avançar. A incerteza de sabermos se podemos eventualmente avançar…
É assim a vida de milhares de jovens que se vêm a braços com uma precariedade que lhes tolhe as expectativas e reveste o futuro de uma capa de transcendência tal, que os faz duvidar se alguma vez tiveram direito a “um futuro”.
Muitos crêem que apenas devem e não têm direito a nada. Porque foram anos a servir de cobaia às mais bizarras experiências de ensino, anos onde se passou de propinas quase inexistentes para propinas insuportáveis aos mais carenciados, onde para se receber uma bolsa de estudo é quase preciso declarar como residência oficial a ponte mais próxima! Para que depois lhes digam que afinal aquilo para que estudaram não foi mais do que uma trivialidade, e que se deviam dar por satisfeitos por terem trabalho. O futuro foi adiado quando nos disseram – estudem! E é novamente adiado quando perguntam depois, porque estudamos quando sabíamos que o futuro seria incerto! Porque um jovem com 18 anos deve ser apenas uma besta “útil”. Deve escolher não continuar os estudos, ou escolher estudar apenas aquilo que lhe dê “saída profissional” (arrepiante expressão cómico-trágica). Estranha liberdade, esta!
E o que é então esta precariedade?
Não é mais do que a incerteza de que falei acima. É o futuro adiado através de um mecanismo de auto-exclusão, que se alimenta da umbilical dependência de quem vive fragilizado dia-apos-dia.
A minha geração é capaz, mais capaz provavelmente que qualquer uma das anteriores, mas vive relegada ao espaço em lhe deixaram viver.
A geração dos nossos Pais deu-nos tudo de facto, menos a possibilidade de sermos realmente independentes. Muitos acham que nos deveríamos resignar ao que temos actualmente. Que somos mal-agradecidos por nos termos formado numa área, e acabarmos a reclamar porque  trabalhamos numa outra. Que não percebemos a importância do estudo, por si só e a sua transcendência metafísica, porque convenha-se dá sempre jeito saber recitar Voltaire numa caixa de supermercado, ou divagar acerca da evolução macroeconómica enquanto se serve 3 finos e um prato de caracóis Que fomos mal habituados e que na verdade gostamos é de viver em casa da família, e tem razão porque na verdade restam-nos sempre duas alternativas – partilhar um apartamento com outras 6 pessoas para o resto da vida ou imigrar. Opções essas há sempre!
É uma vida em suspenso que ameaça perpetuar-se caso tudo continue tal como esta. Alias, ira piorar. Quando num concurso já oferecem como “prémio” um estágio não remunerado, pouco mais se pode esperar.
Agora depende de cada um aceitar esta exclusão galopante ou começar verdadeiramente a reclamar um pouco mais de decência nas cada vez mais pornográficas dependências laborais.
Como fazê-lo?! Não tenho honestamente uma receita, mas acho que podíamos começar por aceitar que temos todo o direito a protestar e acima de tudo de ser livres.

Carmela Garcia, Ophelia III, 2001


Conflito (Ge)racional

Há um fosso (maior que o de Alvalade) entre a geração dos nossos pais e a nossa, que vai aumentando cada vez mais. Há uma sensação de mal-estar que aos poucos vai descendo sobre nos, um incomodo que nos incomoda pela incomodidade da situação. Passo já a explicar.
Há muito que pensava escrever sobre isto. Em primeiro lugar porque já escrevi textos a mais acerca do Sporting, e em segundo lugar porque de facto e apesar de estar longe do Berço, continuo a pensar em todos vos que sofreis com esse esquecimento lancinante imposto pela sociedade e que vos perpetra a alma (esta ultima parte devera ser lida numa tonalidade declamativa tipo Manuel Alegre).
Ora, na verdade segundo o calendário, hoje é sábado, mas como me tenho que fazer à vida fiquei por casa a trabalhar. E é precisamente por causa disto que vos escrevo.
Enquanto desenhava paredes e escadas, eis que desceu sobre mim qual Espírito Santo, mas sem aquela história da pomba, uma ideia que pôs em perspectiva todos os 5 minutos seguintes em que meditei sobre ela – hoje era o dia em que ia escrever acerca deste tema que me tem chateado um pouco.

Não é que me escandalize que existam entidades empregadoras que se puderem, evitam pagar salários a jovens licenciados. O que me chateia, vá lá, é haver jovens licenciados que aceitem e ate achem normal que não lhes paguem pelo trabalho que fazem. Porque o pequeno tirano que os dirige diz-lhes que eles não produzem, que ainda estão a aprender e que fazem muitos erros, que a experiencia na maquina fotocopiadora vai ser tao enriquecedora quanto três semanas de leitura intensiva de Kant, e uma serie de outras tretas que acabam com a celebre frase – mais lá para a frente “agente” vai reavaliar a tua situação
Ora, se vivêssemos num mundo onde a lógica imperasse (e eu como sportinguista sei bem que isso não é verdade) a primeira reacção de qualquer pessoa perante uma situação destas, seria muito delicadamente pedir ao patrão para pegar nas páginas amarelas, enrola-las em forma de cilindro, para produzir posteriormente um movimento vertical de inserção da dita lista numa certa área do corpo humano que eu não vou referir porque sou bastante educado!
Mas como vivemos num mundo, onde o bom senso é tão comum quanto os golos do Postiga, os jovens licenciados acham normal este tipo de tratamento porque acreditam que é difícil arranjar um local de trabalho para estagiar. A estes jovens eu só queria dizer uma coisa: Hello! Vocês estão a trabalhar de borla!!! O que a malta quer é gente assim! Que trabalhe sem receber, e que ainda por cima se sinta agradecida por ser escravizada! A trabalhar de borla vocês arranjam emprego em qualquer lado!
Perguntem ao vosso patrão se quando ele começou a trabalhar, também ganhava a módica quantia de 0 euros mensais (peço perdão – escudos, naquela altura eram escudos).
Ou melhor, vejam se um aprendiz de trolha, ou de caixa de supermercado também aceita ganhar 0 euros por mês. Vá lá, investiguem não tenham medo, que o vosso patrão não vos esta a ver neste momento. Ele provavelmente deve estar a analisar o currículo de mais meia dúzia que candidatos que vão ter o privilegio de trabalhar na vossa empresa.

Ora bem, apesar de a minha escrita navegar como um barco de borracha nas mares vivas de Vila do Conde, acho que deu para perceber que me chateia bastante que existam pessoas a fazer o estágio de borla.

Mas, o que me chateia ainda mais (é a décima vez que uso o verbo chatear) são a quantidade de jovens que apesar de alguns anos de experiência de trabalho infernizam numa condição de precariedade que terá tanta hipóteses de acabar quantas Portugal tem de um dia reduzir o défice a 1,5%.
é toda uma geração que entre os 20 e os 30 anos, não tem nem independência económica, nem independência psicológica (isto da independência psicológica um dia ainda explicarei). É toda uma geração que praticamente não contribui como deveria para a economia porque não tem capacidade para consumir.
No fundo minha gente, é de liberdade que vos quero pregar do alto deste monte.
é a falta dela e a a inerente falta de oportunidades que restringem os horizontes de toda uma geração, a um enquadramento do tamanho de uma moldura 10×15.
A geração dos nossos pais criou e monopolizou um sistema que ainda assegura que as gerações mais qualificadas são geridas e maltratadas pelas gerações menos qualificadas.
Mas sobre isto voltarei mais tarde para fundamentar estas acusações que por certo fazem espumar qualquer cinquentão convicto de si.
Finalizaria estendendo um abraço fraterno a todos os precários, dos quais eu não faço parte porque a certa altura apanhei um avião que me trouxe para um trabalho condigno. Mas não posso deixar de estar com todos vocês na luta.

Dá-lhe Falancio.