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Numa sociedade há quem produza, quem beneficie da riqueza dos que produzem apesar de praticamente nada produzirem, e há quem especule. Fico contente por os primeiros existirem, conformo-me com os segundos, abomino os terceiros.

Pouco antes da falência do Lehman Brothers, a sua classificação tinha sido revista em AAA (isto é, ah ah ah) pelas tão badaladas agências de rating Moody’s, Fitch e Standard & Poor’s. Isto quer dizer que estes indivíduos, pagos a peso de ouro para lançarem em excel umas tabelas de rating acerca de tudo o que mexe na bolsa, enganaram-se redondamente a fazer única coisa que deles realmente se esperava (ou que eles nos fizeram sentir que era indispensável)! Não me interessa se o meu mecânico não sabe estrelar um ovo, ou que o meu medico pense que o Souto Moura joga no Sporting e é lateral esquerdo. Eles não são nem cozinheiros, nem comentadores desportivos. Qualquer um destes indivíduos que transacciona na bolsa ficaria extremamente aborrecido se o seu mecânico desse cabo do motor do Bentley. Não o perdoaria, mudaria certamente de mecânico e provavelmente entrava com alguma acção em tribunal. No entanto, continuam a seguir cegamente estes agências de rating na hora de calcular os riscos dos seus investimentos – as mesmas que estão na base de uma crise económica mundial, que assentou numa bolha criada pelos excessivos riscos assumidos por Bancos de Investimento que viveram em pornográfica monogamia com as seguradoras e as agências de rating.

Vamos a ver se nos entendemos: Portugal produz! Tem um PIB de cerca de 160 mil milhões de euros (mais submarino, menos submarino)! Faz parte da União Europeia, e ainda por cima (veja-se la a ousadia) faz também parte do Euro! Alguém no seu perfeito juízo acredita que Portugal vai à bancarrota sendo como tal extremamente arriscado emprestar-lhe dinheiro! Alguém acredita nisto?!! Intelectualmente acho que ninguém credita neste mito, no entanto o comportamento dos mercados (mais uma vez os mercados), mais os investidores, mais os organizadores da Oktoberfest e toda uma série de estranhas personagens histéricas que passam os seus dias em frente ao monitor do seu PC analisando gráficos coloridos, parecem acreditar profundamente – tal como as agências de rating acreditaram na sustentabilidade do Lehman Brothers 5 dias antes do seu colapso.

E com isto somos obrigados a retroceder economicamente mais uma vez. Somos obrigados a ser governados via Wi-Fi a partir de Berlim, porque na verdade sempre fomos governados por incompetentes! Somos obrigados a uma série de reformas que a própria Angela Merkel não tem coragem de desejar aos seus opositores do SPD. Hà quem diga que a Alemanha não  tem que pagar a nossa incompetência governativa e a nossa desregulação orçamental. Claro que não! Mas nós também não  temos culpa de pertencer a um País periférico  cuja economia é altamente dependente do andamento do resto da Europa, e cuja dependência foi ainda mais acentuada depois da adesão a CEE. Nós não temos culpa de nos ter sido retirado o poder controlarmos a nossa própria moeda. Nós não temos culpa de que a troca de umas auto-estradas tenhamos desmantelado muita da nossa capacidade Agrícola e de Pesca, para não chatearmos muito a França e a Espanha. Nós não temos culpa de termos aberto o nosso mercado financeiro de tal forma de acordo com os standard’s europeus, de forma que não tenhamos qualquer tipo de defesa aquando de uma crise globalizada e que não foi – e repito insistentemente – causada por nós! A Alemanha produz e exporta, por isso resistu bem ao impatco da crise financeira. Se assim não fosse, se a Alemanha estivesse tão refém do seu sistema financeiro, como os Irlandeses por exemplo – que eles tantas vezes elogiaram-, neste momento não existira Euro, nem Angela Merkel, nem Wurst a 1, 50 euro nas ruas de Berlim!

A recessão para que iremos ser atirados nos próximos anos, é sem sombra de dúvida resultado de anos e anos de péssimas governações, de compadrios políticos irresponsáveis e ruinosos e de falta de visão de quem nos governa. Mas não só! E isso meus caros, é o que me chateia!

Que eu tenha que levar com Sócrates ou Passos Coelho, com Santos Silvas e Pedro Pereiras, Ferreiras e Nogueiras Leite, é uma condição inerente ao facto de ter nascido Português. Não há nada que possa fazer contra isso, a não ser não votar neles. Agora, eu não tenho que estar a levar todos os santos dias com ameaças de baixa de rating por parte de instituições ainda mais corruptas que a antiga direcção da Liga do Valentim Loureiro. Eu não tenho que me sujeitar aos caprichos de três aglomerados de interesses americanos que vêm regular a “capacidade” de pagamento de crédito de Países Europeus! Acima de tudo, eu não tenho que estar a levar com analises de uma serie de iluminados, que pelos vistos só agora descobriram que Portugal é governado por incompetentes. Eu e muitos Portugueses já descobrimos isso há muito tempo, já baixamos o rating a quase todos os políticos nacionais, e no entanto eles continuam ai!

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One Comment on “Rate my Rating…”

  1. António diz:

    E basicamente está tudo dito. Continua a ser um mistério para mim a razão pela qual se continua a confiar nesses cavalheiros que aparentemente só se lembram que alguns países existem quando chega a altura de os queimar. Quem tiver a mania das teorias da conspiração até é capaz de dizer que isto é tudo uma corja que quer acabar com o Euro e com a UE para passar tudo a depender dos caprichos do Tio Sam…


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